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O DJ e produtor Julio Torres, considerado um dos melhores da cena eletrônica brasileira, é também uma das atrações confirmadas para o Helvetia Music Festival deste ano.
Julio Torres comenta sobre suas expectativas do Festival, revela suas preferências musicais e conta como surgiu o Projeto Crossover, projeto do qual faz parceria com o violinista Amon Lima.
!ObaOba - Como surgiu seu interesse pela música eletrônica?
Julio Torres - Em festas de vila e festas de colégios que ia com os amigos. Isso me marcou muito, foi amor ao primeiro som, e quando comecei a tocar um amigo que tocava profissionalmente disse que eu levava jeito, então não pensei duas vezes e comecei a investir nisso.
!ObaOba - Quais são suas principais influências?
Julio Torres - Minha escola vem de duas culturas muito diferentes. Bem no começo meu interesse pela Música Negra era absoluto, como o Funk americano de George Clynton e James Brown.
Depois que comecei a tocar, conheci o House e a partir daí passei a pesquisar. Conheci o Rock de Morrisey, Bauhaus, Cramberries e muitos outros, abrindo muitos horizontes para novas sonoridades que até então eu não conhecia e me ajudando em meus sets de música eletrônica e nas produções em estúdio também.
Mas Laurent Garneir, Pareto, Mau Mau, muita coisa de Drum´n´Bass como LTJ Burken, das coisas mais puras como Master at Work, Osunlade e dos mais experimentais como 808 State, Aphex Twin e as coisas da Warp Records, também me influenciaram muito.
A lista é enorme, melhor finalizar aqui.
!ObaOba - Desde quando começou sua carreira de DJ até hoje, o que mudou significativamente na cena eletrônica nacional?
Julio Torres - Acho que o respeito. No começo já cheguei a tocar com a cabine virada para a parede, coisa que hoje você não vê. Hoje já tem o lance das tecnologias e a liberdade de tocar como quiser sem limites ou preconceito.
Mudou muito, mas a essência do DJ continua a mesma, os tempos são outros e devemos saber conviver com isso.
!ObaOba - Além de DJ, você também é produtor, sendo um dos mais renomados no exterior. Como você se tornou produtor? O que acha deste reconhecimento? E como concilia a carreira de DJ e produtor?
Julio Torres - Em 1994 já me interessava por tecnologia, tinha um computador, mas poucos recursos para fazer som. Em 1999 a coisa começou a ficar mais fácil, e desse dia em diante não parei mais de fazer música, pois sabia que meu futuro era esse.
O reconhecimento como produtor é muito maior que como DJ, tem muito DJ no mercado e você precisa de diferenciais, e graças a Deus vi isso bem no começo. E o Studio anda muito junto com minha carreira de DJ, faço além de tracks para meu Label o Chakaboom, e outros Labels, alguns edits onde toco no meu set.
É maravilhoso poder produzir algo e apresentar no setpara as pessoas.
!ObaOba - Como surgiu a idéia de montar um projeto que une a música erudita com a música eletrônica?
Julio Torres - O amigo Cris Rufino da Revista Cool Mag me apresentou o Amon Lima, dizendo que ele estava com essa idéia, e ao mesmo tempo já passava pela minha cabeça de ter algo Live. Como ele é um músico espetacular, não foi muito difícil a "coisa" acontecer, foi tudo muito natural. Logo que nos conhecemos fomos para o estúdio e já começamos a produzir.
!ObaOba - De que maneira o improviso dos violinos de Amon Lima é mesclado com seus sets? Vocês têm um repertório pré-definido? Ou é algo produzido na hora?
Julio Torres - Ele toca jazz, então está acostumado a improvisar e nos sets tocamos nossas faixas e mesclamos com as faixas que mais gostamos. Ele tem um setup muito legal de samples/sons que disparam com o controle do Wii (Video Game da Nintendo), e isso fica muito divertido. O conceito do Crossover é se divertir e tocar faixas que as pessoas gostam e que possamos criar uma atmosfera diferente em cada uma delas.
!ObaOba - Além da música eletrônica, quais outros estilos você também escuta?
Julio Torres - Estou escutando muito podcast, mas a cada semana a coisa vai mudando... Esta semana com essa febre de Madonna, desenterrei o disco Erotica que é fabuloso e também o disco Barulhinho Bom da Marisa Monte.
Assino o Podcast do Camilo Rocha que faz episódios ótimos, tenho muita coisa de Drum´n´Bass como do LTJ Burken e sempre escuto as coisas do Harbie Hancock que sou fã, o disco dele Quartet é essencial, mas não posso esquecer-me de She Wants Revenge, Air, Lcd Sound System e por aí vai.
!ObaOba - Quando você não está discotecando, você costuma freqüentar festas/baladas? Quais?
Julio Torres - Não, é muito raro e as pessoas me cobram isso, mas vivo isso todos os fins de semana, então quando estou em São Paulo é só "jantarzinho" com a família e amigos. Para dizer que não vou a lugar algum, às vezes vou à MOVING no D-edge, na noite que sou residente mensal, para prestigiar os amigos e algum "gringo" amigo.
!ObaOba - O que tem no seu i-pod ultimamente?
Julio Torres - Vou tentar resumir, mas são: Air, Coast2coast, Nirvana, Rick Ashley, Michael Jackson, Aphex Twin, Lisa Lisa, Chemical Brothers, The Smiths, Lcd Sound System, Bill Evans, Guy Gerber, Moby, Global Underground (TODOS), La Jaca Sessions do Camilo Rocha e outras "cositas" mais.
!ObaOba - O que você espera da edição do Helvetia 2008?
Julio Torres - Muita vibe e gente bonita! Vou fazer duas apresentações e isso me gera muita expectativa. O festival é maravilhoso, toquei na primeira edição e sei qual é o espírito, e o pessoal da MKT sabe fazer festa como ninguém, pude conferir as Zeniths e o astral é maravilho. Com certeza será inesquecível.
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