Chuck, guitarrista de uma das mais respeitadas bandas do cenário independente do país, o
Forgotten Boys, conversou com o !ObaOba sobre o novo disco da banda e o que mudou depois de terem sido indicados ao VBM da MTV, em 2003, na categoria de melhor clipe.
Ele também revela que estar no cenário independente, para eles, ?é uma condição?. Além disso, Chuck dá algumas dicas para quem quer ingressar no mundo da música.
!ObaOba - Como foi o começo da banda? É muito difícil alavancar uma carreira sem contar com o apoio de uma grande gravadora?
Chuck - Olha, hoje em dia está difícil com ou sem gravadora. O artista precisa ter uma certa noção de auto gestão e do que realmente quer, para poder ir atrás. Estar rodeado de pessoas legais e que ajudem, é fundamental. O começo foi como o de qualquer, ou de quase todas as bandas, tocando em muito buraco, a troco de nada, fazendo besteira, acertando de vez em quando.
!ObaOba - O que mudou neste último trabalho em relação aos discos anteriores?
Chuck - A gente cresce, amadurece, aprende. Acho que as músicas estão
mais maduras, mais simples e mais intensas. A base do disco foi gravada ao vivo, fazia tempo que a gente não fazia isso. Esse tem mais do que 3 músicas em português, gravamos 6, vamos ver quantas entram.
!ObaOba - Hoje vocês têm clipe nas paradas da MTV e já concorreram na categoria de melhor clipe independente durante o VMB de 2003. O que mudou na banda de uns tempos pra cá?
Chuck - Entrou o Zé no baixo. A gente foi contratado, descontratado... Fizemos turnês pela América do Sul, festivais, e agora pretendemos lançar nosso quarto disco. A banda está bem melhor.
!ObaOba - Como é fazer parte do cenário Indie nos dias de hoje?
Chuck - Ruim e bom. Ruim porque, na verdade, ser INDIE no Brasil significa ter as piores condições técnicas e de divulgação, isso é uma pena. Ao mesmo tempo, nos consideramos independentes, pois tomamos nossas próprias decisões. Este é o lado bom.
Mas creio que o fator significante para ser ou não independente, não é ter ou não uma gravadora, e sim, saber cuidar dos próprios problemas e decisões. Ser "indie", no sentido de "alternativo", não é exatamente uma coisa que adoramos. Queríamos e queremos ser mais conhecidos, o máximo possível. E existe muita gente, principalmente no meio indie, preocupada em melhorar tudo isso. É uma questão de tempo.
!ObaOba - Como você analisaria o conceito Indie atualmente? As bandas independentes têm conquistado um espaço cada vez maior longe das gravadoras?
Chuck - Com tanta coisa na internet, a gravadora não é mais, e faz tempo, uma coisa fundamental. A música tem que ser boa, muito boa. Já é um bom começo.
!ObaOba - Que bandas independentes, de fora da grande mídia, você indicaria?
Chuck - Hurtmold, MQN, Sinks, Vilania, são tantas.
!ObaOba - Que dica você daria para as pessoas que querem viver de música? Onde elas podem divulgar seus trabalhos?
Chuck - Olha, em primeiro lugar saber o que quer, e depois correr atrás. Acumule informação e conhecimento, saiba ouvir os mais experientes e aprenda com eles. Observe muito, faça música com o coração e no que acredita. Divulgue na internet, com os amigos e vá vendo o resultado. Toque muito, muito mesmo, em qualquer lugar. Toque.
!ObaOba - Viver no cenário independente é uma escolha ou não?
Chuck - Não. É uma condição, por enquanto.
!ObaOba - Atualmente, o público que anda por lugares como OUTS, são considerados indie. Como você avalia esse tipo de rotulagem, já que em décadas passadas as pessoas se comportavam iguais as de hoje e eram chamadas por outros nomes? Ou seja, o indie é um punk, um new wave, um gótico? São todos iguais?
Chuck - As pessoas precisam de rótulos, para não comprar sabão em pó achando que é biscoito. E as embalagens são muito parecidas no final das contas. Acho que o amor pela música une todos, ou, pelo menos, deveria. São todos diferentes, mas, vistos de longe, são todos iguais, por serem "todos diferentes". Dá pra entender?!
!ObaOba - Que lugares dedicados à cultura indie você indicaria para o público que quer fugir das mesmices?
Chuck - O OUTS, o Inferno, o Hangar 110. E, principalmente, sua própria coleção de discos, filmes e livros.
!ObaOba - Quais são os planos futuros da banda?
Chuck - Tocar, tocar e tocar. O disco tá saindo em breve e devemos fazer isso... tocar! Já estava demorando...
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