Beirando 10 anos de muitas festas e incríveis discotecagens, o
Lov.e resolve sair da ativa, fechar suas portas e apagar seus estrobos. E uma figura vital, para o desenrolar desta quase década de agito, é
Flávia Ceccato, dona do clube.
A proprietária está no comando da casa desde 2001, quando o fundador da Lov.e
Angelo Leuzzi decidiu morar no Rio de Janeiro e deixar o projeto para a sua parceira tocar integralmente. Desde então, uma atarefada Flávia, envolta em reuniões, corre atrás de DJs, de fechar a programação e de tudo mais.
Após alguns dias de espera, e-mails e ligações, Flávia nos concedeu uma entrevista. No telefone, questionada sobre se está preparada para o fim da Lov.e, diz: ?Estou ansiosa para que aconteça, é um ciclo que eu sei que tem que se encerrar?.
O fim está próximo. Serão duas festas, nos dias 04 e 11 de abril, em que vários DJs que já passaram pela casa irão fazer o que melhor sabem: ferver a pista. Mas confira a entrevista na íntegra e saiba um pouco mais sobre o fim do clube:
!ObaOba: Como será para você quando a Lov.e fechar as portas?
Flávia Ceccato: Nossa! Vou ficar sem teto e sem chão (risos)! Apesar de ter convicção do que devo fazer, sei que vou ficar arrasada quando a noite acabar. E independente da noite, são dez anos vindo quase todos os dias para o escritório, encontrando as mesmas pessoas, brigando, cobrando. Vai ser, no mínimo, bem estranho. Mas eu tenho que fechar essa porta!
!ObaOba: Você consegue lembrar de algumas noites bem especiais que o clube teve?
Flávia Ceccato: Eu digo que devo estar sendo injusta ao citar algumas noites, porque houve muitas! Sei que depois vou me lembrar e ficar azeda por não ter citado. Mas sabe como é... a memória da noite... Vamos lá:
- Mau e Marky num
back to back inesquecível;
- Marky bêbado, tocando quase sentado, rindo e arrasando;
- Miss Kittin (a primeira vez no club) e no Rio;
- Laurent para convidados;
- Technasia sempre;
- Meu aniversário de trinta anos;
- Sven tocando descalço e sem camisa;
- A primeira do Carola;
- Slam numa terça... 1000 pessoas (!);
- Monika Kruise;
- Aniversário do Paradise;
- O aniversário no Paramount, da Broadway de 3 e de 5 anos e do Cocktail de 6 anos;
- A catarse no Anthony Rother;
- Richie Hawtin na segunda vez;
- Vitalic foi foda;
- Dilinja; e,
- Todos os
Technovas durante muito tempo ficarão na memória.
!ObaOba: Para você, qual foi o auge do Lov.e?
Flávia Ceccato: Acho que entre o aniversário de três anos na Broadway em 2001, em que eu tinha acabado de assumir o clube sozinha, e 2006 com a vinda de dois dos meus artistas favoritos, Laurent Garnier e Anthony Rother.
!ObaOba: De alguma forma, o fechamento do clube tem algo a ver com a região em que ele fica?
Flávia Ceccato: Sem dúvida, O Lov.e veio antes do boom da Vila Olímpia. Quando a gente veio pra cá, não tinha NADA! Só o Florestta e o Nakombi. Foi depois disso que virou uma loucura. E como eu tenho repetido com freqüência, sem dúvida a decadência do bairro contribuiu em nossa decisão. A Vila Olímpia era um bairro muito comercial quando chegamos. Hoje a especulação imobiliária fez com que os aluguéis ficassem exorbitantes, surgiram empreendimentos imobiliários residenciais de alto padrão, que obviamente se incomodam com a confusão e o barulho das ruas. Os estacionamentos cobram o que querem. Meu público não quer vir para cá.
!ObaOba: Possui algum novo projeto em vista?
Flávia Ceccato: Projetos, tenho vários, mas nada concreto ainda. Por enquanto, vou cuidando do Loveland que continua normalmente.
!ObaOba: A Lov.e foi uma das casas de maior influência de São Paulo. Mas como você, que acompanhou o clube desde o início, definiria essa importância?
Flávia Ceccato: É difícil dimensionar alguma coisa quando você está dentro dela. Me sinto gratificada quando reconhecem o meu trabalho. Me dá a sensação de dever cumprido.
>>Leia Mais:
Prestes a completar 10 anos, o Lov.e fecha as portas