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Entrevista: Gregg Gillis, aka Girl Talk

São Paulo, 27 de setembro de 2007
Por: Lívia Pereira

Crédito: Divulgação/ myspace.com/girltalk
A essa altura muitos já o conhecem. Gregg Gillis, aka Girl Talk, é uma das atrações do Tim Festival 2007. Ele se apresenta dia 26 em São Paulo e 27 no Rio. Ele começou a chamar a atenção do mundo com suas músicas que na verdade são trechos de vários hits pop formando uma nova canção. Seu último álbum Night Ripper (2006) tem trechos de músicas de 167 artistas, alguns deles usados mais de uma vez, o que dá uma média de citação, num único álbum, de 6.250 samples.

Além disso, Gregg sabe como agitar uma festa não só por fazer seus mashups contagiantes ao vivo, mas também por sua grande espontaneidade em palco, o que encoraja o público a subir no palco e até mesmo arrancar suas roupas, como se vê em vídeos de festas que ele se apresentou.

Nesta entrevista, Gregg nos conta como desenvolveu seu processo de criação, por que não se considera um DJ e como não foi processado até agora, entre outras coisas.

!Obaoba: Quando você começou a fazer mashups? Como foi?

Eu comecei a fazer colagens de sons e re-contextualizações antes mesmo de ouvir este termo ?mashup?. Eu estava num grupo de noise no colégio e a gente fazia uns sons manipulando quatro faixas, pulando CDs e fazendo colagens de fitas. Eu consegui um laptop em 2000 e comecei a descontruir digitalmente músicas pop. Anos mais tarde, meu estilo desenvolveu-se numa forma mais acessível, que foi influenciada por ?mash ups?.

!Obaoba: Existe algum critério para as músicas que você seleciona para fazer um mash up?

Eu sampleio qualquer coisa que eu gosto. Eu tento manter as músicas baseadas no top 40, assim o material de origem fica reconhecível. Eu gosto que as pessoas consigam entender como eu estou manipulando o trabalho original.

!Obaoba: Você não tem medo de ser processado por usar essas músicas ilegalmente?

Existe uma doutrina na lei de Copyright dos Estados Unidos chamada Fair Use que permite samplear sem pedir permissão, se isso cair num certo critério. É próprio de um olhar subjetivo decidir se um trabalho é transformador, se você está afetando as vendas do artista e a natureza do trabalho. Eu não acho que esteja afetando alguém negativamente. No máximo, estou chamando a atenção para alguns artistas.

!Obaoba: Se usar partes de uma música para criar uma nova não é algo novo, por que está todo mundo falando do seu trabalho?

Nada é novo de verdade. Toda arte e música são baseadas em idéias já conhecidas. O que acontece é criarem uma nova perspectiva a essas idéias antigas, e é isso o que eu estou tentando fazer.

!Obaoba: Por que você não se considera um DJ?

Eu nunca mixei gravações. Eu sempre me baseei no laptop. Eu nunca toco a música de alguém de maneira inalterada. Eu nunca volto uma música para soltar num determinado ponto depois. Nos shows ao vivo, é exclusivamente meu material remixado. Eu mixo e junto cada parte da música individualmente: bumbo, caixa, vocais, melodia e assim vai. Meu mérito é fazer música que existe com suas próprias pernas. Algo que é novo, mas baseado em elementos reconhecíveis do material de outra pessoa. Eu não me sinto ofendido pelas pessoas que me chamam de DJ, mas eu sempre me senti mais próximo a artistas como John Oswald, Negativland e Kid 606. Esses músicos todos trabalham com um material pré-existente, mas ninguém os rotula como DJs. Eles trabalham com colagem de sons. É aí que eu me encaixo.

!Obaoba: Quem são seus artistas favoritos?

Nirvana, Todd Rundgren, Ice Cube, Yes, Bone Thugz & Harmony, Kraftwerk, Merzbow e Kid & Play.

!Obaoba: Quais são suas expectativas para a apresentação aqui?

Eu espero que seja uma puta festa.

Leia Mais:Especial TIM Festival

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