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Orquestra Imperial vai fazer um grande carnaval no domingo do dia 27, no palco
São João, deixando o clima mais do que festivo para que
Jorge Ben Jor encerre com tudo a
Virada Cultural 2008.
A trupe é formada por 20 amigos, entre eles as cantoras Nina Becker e Thalma de Freitas, Moreno Veloso, Rodrigo Amarante, Nelson Jacobina, Domenico, Wilson das Neves e Max Sette.
Dos tradicionais bailes que aconteciam tradicionalmente às segundas-feiras no Rio, saiu o álbum
Carnaval Só No Ano Que Vem (2007), resultado dessa junção de mentes criativas. Desde 2004, a banda não pára mais, fazendo shows por todo o Brasil e até mesmo pela Europa e Estados Unidos, o que pode ser considerado uma proeza, já que todos têm agendas cheias e projetos à parte.
As apresentações da O.I., como também é conhecida, são quase sempre marcadas por presenças ilustres, como Bebel Gilberto, Luiz Melodia, Caetano Veloso e Jorge Mautner, que inclusive é autor de uma das faixas do disco, a tropicalista
Supermercado do Amor.
Mesmo com tantos nomes de peso e sucesso envolvido, a banda não perde a essência descompromissada de não ser trabalho, e sim pura diversão.
O produtor e tecladista Berna Ceppas, que junto de Kassin fundou a Orquestra, bateu um papo com o !ObaOba, confira!
!ObaOba - A Orquestra Imperial começou como uma brincadeira entre amigos. A composição das faixas de ?Carnaval Só no Ano Que Vem? aconteceu nesse clima descontraído?
Berna Ceppas: Foi nesse clima. Na verdade, começamos com alguns shows e ficamos juntos um tempão na estrada. O negócio foi dando certo e a gente começou a conviver. Daí é natural que, por combustão espontânea, essas parcerias começassem a rolar. Mas uma coisa foi determinante: quando o Wilson das Neves entrou pra banda estimulou muito a produção interna que veio a virar o ?Carnaval Só No Ano Que Vem?. Ele tem o hábito de gravar as melodias num gravador de fita cassete, e começou a distribuir as melodias pra galera.
!ObaOba - Você diria que a Orquestra continua nessa brincadeira ou ficou mais séria?
Berna Ceppas: Não, é totalmente uma brincadeira. Não dá pra ser muito sério, se for muito sério acaba. É muita gente, não dá dinheiro o suficiente pra ser a atividade principal de todo mundo, ninguém tá aí por dinheiro, sabe? Realmente, o Seu Jorge, quando era da banda, definia muito bem a parada, ele falava: ?é a nossa pelada de segunda-feira?, porque os bailes eram de segunda-feira. Sabe aquele negócio que você vai pra encontrar os amigos, pra se divertir? É esse o esquema.
!ObaOba - A Orquestra é uma das atrações do palco principal da Virada Cultural de São Paulo, que acontece neste final de semana. O que acha de estar no mesmo palco que Gal Costa, Mutantes e Jorge Ben Jor?
Berna Ceppas: Mó responsa, né?.
!ObaOba - Vocês têm planos pra um segundo álbum?
Berna Ceppas: A gente tem sim, mas é sempre muito difícil, não só pela agenda, mas também pra garantir um álbum quente e sincero, como o último, gravado ao vivo. Inclusive, as vozes deste disco foram gravadas com a banda tocando, não teve
overdub, não teve ?ah, depois você vai lá e grava sua voz?. As únicas
overdubs que tiveram foram de metais, porque não compramos um estúdio grande, em que pudéssemos tocar todos juntos ao vivo. Gravamos as bases, o metal era a guia, as vozes valendo, depois gravávamos os metais de verdade.
!ObaOba - Já fizeram vários shows aqui em São Paulo. Como você vê o público daqui? Diferente do carioca?
Berna Ceppas: O público de São Paulo é ótimo. É muito receptivo, é um lugar que gostamos muito de tocar, é maneiro. Ainda que, por sermos muitos, o deslocamento fica difícil.
!ObaOba - E como foi tocar no exterior?
Berna Ceppas: Ah, foi maneiro. Tocamos em Portugal, Londres, Chicago, New Jersey. Ficamos super envolvidos. O público era local, e não a colônia de brasileiros, e isso foi muito bom, uma experiência bem verdadeira, não que a outra não seja, mas é diferente, né? Quando você vai tocar pra colônia, você já vai meio que aprovado, mas no caso ninguém entendia a letra, era uma relação somente musical. As pessoas queriam ver aquela novidade, queriam sentir o cheiro daquilo.
!ObaOba - O público pode esperar uma participação especial no show da Virada?
Berna Ceppas: Eu não sei, porque tem que ser um show curto. Mas pô, com todas essas pessoas no palco, nada mal tocar com o Jorge Ben Jor, né? (risos)
!ObaOba - Quem ainda não subiu no palco com a Orquestra que você gostaria de convidar?
Berna Ceppas: Jorge Ben Jor (risos). Tem algumas pessoas, o Miltinho, que era o rei do swing, que cantava pra caramba. Ainda canta, o cara tá ativo.
!ObaOba - Como você e o Kassin migraram das sessões conjuntas de música eletrônica para o baile de gafieira?
Berna Ceppas: Ah, tínhamos datas marcadas no Balroom, mas não dava pra levar pra lá o nosso projeto, porque era um lugar grande. Aí chamamos a rapaziada toda pra fazer uma parada, pra tocar gafieira, já pensando em se divertir.
!ObaOba - Vocês ficaram muito surpresos com o sucesso?
Berna Ceppas: É. Tem uma frase que eu sempre repito, que ?a gente não sabe o que fez de tão errado para ter dado tão certo?. Era uma zebra, todo mundo enxugando nas performances, enxugando as bandas e a gente surge com 19 pessoas no palco. Hoje são 20. Realmente estávamos muito na contramão, né?
!ObaOba - A Orquestra tem sido uma das responsáveis pela introdução dos jovens aos antigos sambas. Você acha que essa sonoridade que remete ao antigo com os pés na atualidade atrai mais esse público em particular?
Berna Ceppas: Eu acho que quando a gente é novo, está sempre ávido por informação. Mas a Orquestra não tem nenhuma pretensão xiita, regionalista, de resgate, nada disso. A gente não é uma orquestra de gafieira, nós somos uma banda pop, que se vale da gafieira como tema central. Eu acho que as pessoas reconhecem isso, dá uma revitalizada de algum jeito, não fica tão formal. Ver um show da Orquestra não é visitar um museu, entrar em contato com o passado, e acho que isso tem um apelo sim.
!ObaOba - Como andam seus projetos solos? O que tem feito?
Berna Ceppas: Puta, tô trabalhando pra caramba (risos). Eu fiz a trilha do Wilson Simonal, que é um documentário, o ?Ninguém Sabe o Duro Que Dei?. Fiz a trilha do espetáculo da Débora Colker (?Cruel?), tô fazendo a trilha do filme do Breno Silveira (diretor de Dois Filhos de Francisco).
!ObaOba - E pra finalizar, que mandar um recado pra quem tá lendo essa entrevista?
Berna Ceppas: Tomara que todo mundo vá ao show, goste, e se encontrar o Jorge Ben Jor, dá o toque (risos)!
Cobertura completa da
Virada Cultural 2008
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Orquestra Imperial