segunda-feira, 01.12

Baladas da Semana

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"MÃE, CHEGA DE BALADA!"
Por Igor Lopes

Elas são jovens, modernas, animadas. Gostam de boa música, boas baladas e muita diversão nos clubes e bares mais descolados da cidade. Durante o dia, a vida é ocupada: elas trabalham, estudam, namoram... e ainda encontram tempo para cuidar dos filhos!

Lourdinha: "Em setembro, estarei em Ibiza, se Deus quiser!”
Estamos falando de mães baladeiras. Não há dúvidas de que a maternidade mexe com a cabeça das pessoas. A presença de um filho e a constituição de uma família transformam o dia-a-dia de qualquer um. Foi o que aconteceu na vida da arquiteta Lourdinha Bentes (foto), que teve seu primeiro filho ainda muito jovem. Isso foi no final da década de 80, quando ela vivia uma rotina cheia de badalações e agitos. Ela reconhece que ficou mais quietinha naquela época, mas voltou "com tudo" alguns anos depois "de um jeito meio desenfreado", confessa.

O fato é que hoje, Lourdinha deixa os filhos Thomás (18 anos) e Lucas (13 anos) no chinelo quando o assunto é animação! "O mais novo só vai em algumas festas em Campos do Jordão, na Phoenix. Está começando ainda. O mais velho sai normalmente, nos fins de semana. Quando estamos juntos e ele não conhece os lugares, sai comigo muito feliz. O problema é que às vezes ele me implora para ir embora, tipo: ´Mãe, por favor, estou cansado, já são 8 da manhã!´"

O "currículo" noturno de Lourdinha é vasto e bem eclético. Nos últimos meses ela marcou presença no Skol Beats, viu Carl Cox em Sampa, foi até o Rio de Janeiro para assistir às apresentações de Fatboy Slim e, mais recentemente do top DJ Ferry Corsten. Em Salvador, curtiu o Bloco dos Mascarados com Margareth Menezes. Em Paris, não perdeu o "After Hours" com DJ Dimitri nem as gigs de Kojak e Michel Kaiser no Queen. "Em setembro, estarei em Ibiza, se Deus quiser!", conta a mulher que parece ter pilhas extras quando se trata de diversão.

No último Reveillon, Lourdinha deu um passo a mais: saiu das pistas para comandar o som. Há alguns meses ela comprou equipamentos de DJ e desde então, vem treinando suas próprias mixagens. "Pois é, isso tinha que acontecer! Eu gosto tanto de música eletrônica que para fazer as pessoas ouvirem o que eu gosto, resolvi começar a tocar. Ainda não utilizo discos de vinil, só CDs. Já toquei em várias festas de amigos, Natal, Reveillon, vou tocar semana que vem em outra festa. Mas o que eu quero mesmo é tocar para mais de 1000 pessoas. Som para multidão. É meu sonho, tudo de bom!", completa.

A estudante mineira Nívea Pires é mãe de Júlia, hoje com seis anos. A menininha já demonstra ter o mesmo pique da mãe. Animada, ela sempre quer acompanhar as baladas. "Normalmente quando saio com a minha turma da faculdade para algum bar, acabo levando junto. Quando ela tinha uns 2 anos ela foi ao Café Cancun (bar de Belo Horizonte) comigo e ficou até 22h. Foi muito engraçado, a Júlia foi a maior atração da noite! Ela se comporta bem, adora meus amigos!"

Como se não bastasse a agitação, Júlia puxou também a vaidade da mãe. "Outro dia meu pai estava esperando para levá-la à aula porque ela tinha esquecido de passar rímel! Algumas vezes anda na esteira porque acha que tem que emagrecer. Ela é agitadinha, viu? Vai me dar trabalho..."

Gaía segurando Lorenzo: Techno na maternidade
A jornalista Gaía Passarelli entrou para o time das mães baladeiras há pouco tempo. Freqüentadora da noite underground paulistana desde os 14 anos, ela é hoje uma das principais referências quando o assunto é o cenário da música eletrônica brasileira. A paixão pelas batidas é tão grande que quando Lorenzo veio ao mundo, os pais estavam ouvindo techno na maternidade. "A gravidez foi "médio" programada. Eu e o Marcelo (meu marido) desejávamos um bebê, mas teríamos esperado um pouco mais. Mesmo entre os perrengues que todo casal passa, penso que o Lorenzo veio na hora certa. A maternidade mexe muito, muito mesmo. Mas você tem que estar aberta para essas mudanças, né?" E a mamãe de primeira viagem escancarou as portas para a nova realidade. "A adaptação é difícil, mas tenho certeza que sou mais feliz hoje do que em qualquer outra época da minha vida. A gente fica viciado no filho, é a coisa mais legal do mundo", completa.

E se Lorenzo não for baladeiro quando crescer? Será possível que uma criança nascida nesse meio consiga ser caseira? "Bom, jeito sempre tem, né? Vai que ele resolve ser um matemático aplicado?! Eu espero que ele seja do jeito que quiser, acho que a gente tem que dar liberdade para a personalidade dos filhos. Mas no que depender dos pais, ele vai crescer ouvindo muita música", conclui Gaía.

E na sua casa, como funcionam as coisas? Os finais de semana sempre são motivo de brigas homéricas ou seus pais são tranqüilos com relação às baladas? Aliás, eles também curtem uma vida noturna? Acesse a nossa enquete!