segunda-feira, 01.12

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Histórias de Cemitério
 Por Danielle L. Sanches


Quem diz que nunca pensou em alma penada quando passou por um cemitério está mentindo. Impossível não achar estranho quando um gato surge no seu caminho (se for preto, então...), ou sentir uma angústia inexplicável com aquele pesado silêncio nos ouvidos. O lugar, apesar de ser pacífico, tem toda uma aura sinistra - embora essa talvez não seja a intenção. Andar por aquelas ruazinhas intrincadas é perder-se em um labirinto de histórias e rostos, que parecem ainda estar ali olhando aqueles estranhos (!) visitantes.

Estranha talvez possa ser a primeira impressão que as pessoas têm do coveiro Osmair Camargo Candido - "Fininho", como é conhecido no Cemitério do Araçá, seu lugar de atuação. Com "quarenta e poucos anos" de idade, vinte de profissão, ele carrega consigo uma variada gama de histórias que presenciou nessa inusitada profissão. Estudante do terceiro ano de Filosofia e fã incondicional de Nietzche, Osmair está compilando seus casos (verídicos) em um livro, que pretende publicar assim que conseguir apoio de uma editora (ainda em vida, se possível).

As histórias a seguir aconteceram mesmo. Osmair as contou enquanto passeava com a reportagem pelas lápides do Araçá, mostrando um pouco das curiosidades da silenciosa vizinhança. Nenhum deles quis dar uma entrevista para contar a versão póstuma dos fatos (ainda bem!), mas confiamos no que os vivos têm a dizer. Se você também, continue lendo. E fique em paz.

(colaborou com os textos Lucas Renan Bessel, que morre de medo de cemitérios)