Comida inimiga
Por: Martina Carli
Aumentam os casos de bulimia e anorexia, e o mundo toma medidas para combatê-los
Nos dias 14 e 17 de novembro, o Brasil e o resto do mundo conheceram dois casos de anorexia que resultaram na morte de duas jovens de 21 anos nascidas no estado de São Paulo. A primeira vítima foi a modelo Ana Carolina Reston (foto), que pesava apenas 40 quilos e tinha 1,72 metros de altura. A garota estava internada desde outubro com um quadro de insuficiência renal, agravado por uma infecção generalizada.
Dois dias depois do chocante óbito, que rendeu manchetes nos principais jornais do país e também em veículos da Itália, Estados Unidos, França, Inglaterra, foi a vez da universitária Carla Sobrado Cassalle (foto) falecer por complicações decorrentes de anorexia nervosa e bulimia. Ela estava no Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista, desde o dia 13, quando sofreu duas paradas cardíacas. Carla estava no terceiro ano do curso de Moda na Faculdade Anhembi Morumbi.
Antes destes dois acontecimentos, em outubro, cerca de 40 médicos e outros profissionais da saúde do Reino Unido enviaram uma carta aberta ao Conselho Britânico da Moda pedindo a proibição de modelos excessivamente magras nas passarelas do país.
Esta atitude restritiva na moda vem sendo tomada por causa de alarmantes pesquisas que são divulgadas internacionalmente e que revelam que pessoas cada vez mais jovens (na maioria entre 15 e 20 anos) apresentam graves transtornos alimentares, assim como as duas brasileiras.
Outra iniciativa deste tipo foi aprovada recentemente na Espanha, onde manequins com o índice de massa corporal inferior a 18 estão impedidas de trabalhar. Esta taxa de gordura corpórea faz parte de um padrão de medição da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ela é calculada a partir da equação peso / (altura)2. É considera abaixo do peso normal a pessoa com IMC inferior a 18,5, sendo desejável estar na faixa entre 18,5 e 25. Aqueles com índices entre 25 e 30 ou acima de 30 têm sobrepeso ou são obesos.
A maioria dos psicólogos e médicos envolvidos com este tipo de problema alega que ele é resultante do crescente culto à magreza. Nos Estados Unidos, por exemplo, a última moda é usar o manequim de número 00 (modelagem criada neste ano), que equivaleria à minúscula etiqueta 34 no Brasil.
A internet é um refúgio para milhares de adolescentes que defendem a anorexia e bulimia como meio para atingir a felicidade, e que, graças ao anonimato da rede, trocam fotos de jovens esqueléticas e histórias sobre como ficar dessa forma.
Com uma simples busca no Google por sites que fazem apologia às doenças, encontram-se como resultado centenas de páginas nas quais são explicados truques para sobreviver com uma maçã por dia, esconder a perda de peso dos familiares e enganar a fome com água com limão.
Fatores profundos, físicos e pessoais, como traumas infantis, síndrome de inferioridade, alterações químicas no cérebro e obsessão pela perfeição também facilitam o surgimento das moléstias, que atualmente acometem 5% da população mundial, sendo que 10% das pessoas morrem por causa delas.
A comida também tem sido revelada como inimiga de muitas celebridades, que causam espanto com suas perdas de peso drásticas e instantâneas. Estrelas como a cantora mexicana Anahí, do grupo RBD, e a atriz teen Lindsay Lohan assumiram seus problemas alimentares recentemente, entre muitos outros famosos.
Seja sob os holofotes, ou na vida cotidiana, "manias" como comer compulsivamente, não se alimentar ou fazer dietas massacrantes são as responsáveis por infelicidades constantes, que levam a um sofrimento repetitivo.
Nas próximas páginas, conheça melhor os aspectos da bulimia e anorexia, seus sintomas, casos reais e os tratamentos, com depoimentos médicos, além de uma lista com casos de artistas que já conviveram com estes males.
Anorexia
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Casos entre famosos
Entrevista com psicóloga