sexta-feira, 21.11

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Revistão - 50 Anos de Bossa Nova

Por: Andréia Regeni e Isabella Lessa

Introdução
O Legado
Moda
Curiosidades
Exposição


Foi em 1958 quando o escritor e jornalista Ruy Castro anunciou: "show de Silvia Telles e uma banda bossa nova". Bossa era uma gíria da época, que significava "lábia". Estava batizado então aquele ritmo, que, com sua batida de violão e vocais sensíveis, deu novas cores ao Brasil.

A bossa nova surgiu na época certa. Época em que o progresso e a prosperidade tomavam conta do país. O cenário era um Brasil sob o governo de Juscelino Kubistchek, pairava no ar uma promessa de grandeza; surgia Brasília, com a arquitetura moderníssima de Oscar Niemeyer; a seleção brasileira esbanjava seu talento único no futebol; as chanchadas eram deixadas de lado, começava o Cinema Novo, com cineastas como Glauber Rocha; o homem viajou para o espaço. Tudo parecia estar acontecendo naquele momento.

No entanto, o Brasil não tinha uma trilha sonora para ilustrar tais mudanças. Como disse o escritor e produtor musical Nelson Motta, sua geração não possuía uma música que a representasse. Nas rádios, os vocais exagerados de Lupicínio Rodrigues e Dolores Duran lamentavam amores perdidos. Tangos argentinos e boleros também não tinham nada a ver com os novos tempos.

Tudo, absolutamente tudo, mudou quando as pessoas ouviram João Gilberto cantar "Chega de Saudade". Era uma música completamente nova, em todos os sentidos. Musicalmente, tinha uma batida diferente, simples, mas sofisticada. A letra falava sobre coisas boas, ainda que melancolicamente, e chamavam atenção os diminutivos: "pois há menos peixinhos a nadar no mar/ do que os beijinhos que eu darei na sua boca...".

Bastou quase nada para que a bossa nova ganhasse o posto de trilha sonora dos brasileiros. Tom Jobim era o grande arranjador das melodias, harmonizava duas notas banais e as transformava em algo belo. Vinicius de Moraes deu poesia às letras, sensíveis e otimistas, até mesmo quando tristes, tinham um quê de alegre. E João Gilberto foi o criador da tão famosa batida de violão, tão inovadora.

Nara Leão, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Newton Mendonça, Johnny Alf, Astrud Gilberto, Silvia Telles, Os Cariocas, Carlos Lyra, João Donato, Miúcha, Marcos Valle, Edu Lobo, entre outros, foram algumas figuras que compuseram este que foi um dos momentos mais ricos e produtivos da música brasileira.

O período da bossa nova foi curto, na realidade. Foi de 1958 a 1964. Quando se deu o golpe da Ditadura Militar, a bossa nova enfraqueceu. Ganhou espaço a música de protesto, preocupada com o lado social. Até mesmo artistas como Nara Leão e Vinicius de Moraes já não queriam saber de bossa.

Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram a seguinte afirmação: "O Brasil tem que merecer a bossa. Não é culpa da bossa, e sim do Brasil. É como se a bossa nova tivesse possibilitado um vislumbre do que o país poderia ser. É como se precisássemos de décadas para chegar ao que já está aqui." Ou seja, para alcançar a beleza, a paz, o amor - tudo isso tão presente naquelas canções.

Pode soar utópico, mas é inegável o encanto que a bossa nova causou pelo mundo. É uma música bonita, de uma qualidade indiscutível, com raízes no samba e influências do jazz. Estamos tão acostumados a ouvir falar de "Garota de Ipanema", que acabamos esquecendo de que a bossa não é um mero acontecimento, e sim, algo extraordinário para a cultura brasileira. Por isto, o !ObaOba presta sua homenagem a Bossa Nova neste Revistão:

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